Sainte-Chapelle – Paris

Encantador símbolo da arte gótica francesa.

Escolher o que fazer em pouco mais de dois dias em Paris é uma tarefa inglória. Em meio a tantas opções sedutoras, enfim, resolvemos que o melhor seria flanar por ali, a exemplo do que fazem os parisienses, admirando suas ruas e praças, revendo monumentos e prédios, com paradas estratégicas em alguns de seus inúmeros cafés… E, para completar, eleger alguns programas que considerávamos muito especiais. Um deles, imperdível, seria a visita à Sainte-Chapelle, situada no Palácio da Cité, sede e residência do poder real dos séculos X ao XIV.

A encantadora capela foi construída entre 1242 e 1248, por ordem de Luís IX, que reinou de 1226 a 1270, e que mais tarde foi canonizado como São Luís, em 1297. A princípio, o objetivo da Sainte-Chapelle seria abrigar as relíquias da Paixão de Cristo ‒ entre elas, a Coroa de Espinhos ‒, que pertenciam aos imperadores de Constantinopla desde o século IV, e que foram adquiridas em 1239, pelo então rei Luís IX. Em 1306, o crânio do próprio rei, já canonizado, foi ali guardado.

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Sainte-Chapelle, obra-prima gótica francesa

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Chapelle Basse, uma explosão de cores

Nos séculos seguintes a Sainte-Chapelle passou por várias modificações, sofreu dois grandes incêndios e uma inundação devastadora, além de ter sido desativada durante a Revolução Francesa, por ser considerada símbolo da realeza e da religião, quando passou a ser utilizada para fins civis. No entanto, milagrosamente, seus belos vitrais permaneceram intactos. O processo de restauração da capela teve início em 1846, e dele participaram vários artistas renomados à época, sob o conselho do arquiteto Eugène Viollet-le-Duc.

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Ao fundo, na Chapelle Basse, a imagem de Notre-Dame

A Sainte-Chapelle tem dois andares. O primeiro, conhecido por Chapelle Base (Capela Baixa), dedicada à Notre-Dame, era a paróquia do Palais de La Cité, aberta aos soldados, serviçais do rei e cortesãos. Foi atingida de forma dramática durante a inundação de 1689. Durante a Revolução Francesa foi usada como depósito de grãos.  Na restauração do século XIX, o seu interior ganhou decoração com motivos de flor-de-lis (símbolo na monarquia francesa), sobre fundo azul, e torres sobre fundo púrpura (armas da rainha Branca de Castilha, mão de Luis IX). Na abside à esquerda, por cima da porta da antiga sacristia, há um afresco do século XIII, representando a Anunciação, que é tido como a maior pintura-mural de Paris.

A Chapelle Haute (Capela Alta), com apenas 30m de comprimento por 10,70m de largura, com vitrais em lugar de paredes ‒ só de superfície de vidro, tem 670m2, afora a rosácea ‒ abrigava as Relíquias da Paixão (hoje guardadas na catedral de Notre-Dame), e era reservada somente ao rei, à família real e a convidados importantes. É um verdadeiro relicário, com esculturas e vitrais que glorificam a paixão de Cristo e enchem os olhos dos visitantes.

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Chapelle Haute, vitrais no lugar de paredes. Impossível não ficar boquiaberto…

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A grande rosácea

A maior beleza da Chainte-Chapelle está, sem dúvida, em seus vitrais. São 1113 cenas, retratadas em 15 vidraças, 14 das quais, representam episódios retirados da Bíblia, contando a história da Humanidade, da Gênesis até à Ressurreição. A outra representa a história das Relíquias da Paixão, ou seja, a história da descoberta das relíquias por Santa Helena, em Jerusalém, até a chegada destas à França. As esculturas dos apóstolos, localizadas entre os vitrais, são consideradas obras-primas do estilo gótico. A rosácea ocidental ilustra o livro do Apocalipse, de São João. No seu centro, está Cristo, que regressa glorioso ao fim dos tempos para julgar vivos e mortos…

 

 

Endereço: 4 Boulevard Du Palais – 75001 – Paris. Telefone: 01 53 40 60 97.

Aberta diariamente, das 9h30 às 18h, de março a outubro, e de 9h às 17h, nos demais meses.

Entrada: € 6,50

 

 

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