Museu da Imigração, em São Paulo – uma ótima opção de lazer

Restaurado, museu ganha recursos tecnológicos e ajuda o brasileiro a entender a sua identidade 

Após restauração iniciada em 2010 e terminada no início de 2014, o Museu da Imigração, que ocupa o prédio da antiga Hospedaria do Brás (*), em São Paulo, reabre suas instalações com exposição de longa duração e espaço para exposições temporárias e outras formas de manifestação cultural. Utilizando recursos cênicos, tecnológicos, além de um rico acervo, o museu procura resgatar e compreender o processo migratório para São Paulo e o Brasil, baseado na história de 2,5 milhões de pessoas de mais de 70 nacionalidades, que passaram pela Hospedaria, entre os anos de 1887 e 1978.

Painéis mostram as rotas dos navios que traziam os migrantes

Principal atração do MI nessa nova fase, a exposição Migrar: Experiências, memórias e identidades é dividida em oito módulos, repletos de documentos, fotos, vídeos, depoimentos e objetos que contam como o processo migratório é um fenômeno permanente na história da humanidade. Apresenta ainda um panorama da grande imigração ocorrida nos séculos XIX e XX, abordando o início das políticas imigratórias do país e o cotidiano da Hospedaria de Imigrantes.

Refeitório – hoje espaço de imersão

Para que se possa sentir de forma mais real como era o ambiente na época, há espaços chamados “de imersão”, como uma sala que recria um amplo dormitório da antiga Hospedaria, com projeções em grande escala de trechos de cartas e trilha sonora especial. Também estão contextualizadas as questões relacionadas ao trabalho e encaminhamento do migrante para o campo.

Espaço de imersão no dormitório e foto da época.

Um módulo, chamado “São Paulo Cosmopolita”, apresenta a cidade pela perspectiva dos bairros Bom Retiro, Mooca, Brás e Santo Amaro, com imagens e vídeos que mostram a influência da migração nas festividades, nos traços arquitetônicos e nas transformações culturais nessas regiões. No módulo “Imigração hoje”, um painel interativo forma um mosaico de rostos de diversas origens que reproduzem depoimentos de pessoas que passaram recentemente pela experiência de deslocamento, reiterando que a migração humana é um fenômeno não apenas do passado.

Painel com sobrenomes trazidos pelos migrantes

A arte contemporânea também está presente no MI. Inspirado em um trecho do livro É isto um Homem?, do escritor italiano Primo Levi, que trata da relação estabelecida entre o homem, o trabalho e a diversidade de línguas, o artista brasileiro Nuno Ramos recria uma caçamba tombada com quase 30 mil tijolos marcados com palavras em francês, tcheco, iídiche, alemão, húngaro e inglês mencionadas no texto de Levi. Em outra criação de Nuno, um único tijolo, posto sobre uma cadeira, dialoga com gravações de áudio que emitem o mesmo trecho do livro citado.

Maria Fumaça faz viagens em horários regulares

E, para completar o programa, vale um passeio de Maria Fumaça, na estação ferroviária que faz parte do complexo do MI. Pura nostalgia…

(*) Criada para receber cidadãos estrangeiros recém-chegados ao Brasil, que seriam, depois, deslocados para fazendas no interior do país ou selecionados para trabalhos na própria cidade. Além de alojamentos, contava com uma central de serviço médico e odontológico, serviços de correio e telégrafo, posto policial, lavanderia, cozinha e refeitório.

Serviço Museu da Imigração
Endereço: Rua Visconde de Parnaíba, 1316 – Mooca – São Paulo
Funcionamento: de terça-feira a sábado, das 9h às 17h; domingos, das 10h às 17h
www.museudaimigracao.org.br

Por Consô Silva

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