Diamantina – MG

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Seu casario preserva a estética sóbria de inspiração barroca, mas, quando comparado ao das demais cidades históricas coloniais mineiras, diferencia-se pelo refinamento. Nota-se a quase ausência de casas térreas e a predominância de sobrados suntuosos com balcões decorados com pinhas de vidro e pavimentos em lajes de pedra.
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Chamam a atenção o Passadiço da Glória, uma ligação entre dois sobrados dos séculos XVIII e XIX, e a histórica casa de Chica da Silva, escrava que teve grande poder devido ao romance com o contratador de diamantes português João Fernandes de Oliveira, simplesmente o homem mais rico do Brasil, à época. Muitas históricas cercam o Passadiço da Glória, entre elas, a de que foi construído para que as alunas do colégio das irmãs vicentinas, que ali funcionou, pudessem transitar de um prédio para outro, dos dois lados da rua, sem serem vistas pelos rapazes.

O centro urbano de Diamantina parece confuso, à primeira vista, mas é um exemplo de configuração das cidades do período colonial, com seus caminhos estreitos e sinuosos que obedeceram à época, o traçado mais plausível para se adequar à topografia, sem se preocupar com a geometria. Isto porque a cidade foi construída sobre uma encosta com variação de até 150m de altitude. Portanto, visitantes, preparem as pernas para subir e descer ladeiras. É imprescindível levar tênis, papete ou outro tipo de calçado confortável e que não escorregue muito nas pedras lisas do calçamento setecentista. 

img03Surgida como Arraial do Tijuco (ou Tejuco), por volta de 1713, época em se fixaram ali bandeirantes que estavam em busca do ouro encontrado na vale do córrego do Tijuco, Diamantina, na realidade, começou a servir de acampamento a exploradores vindos do Serro, acompanhando o curso do rio Jequitinhonha, bem antes, em 1691.

Para decepção de todos, no entanto, logo constatou-se que ali, naquele sítio, não havia a abundância de ouro que se esperava, e a história do lugarejo prometia ter vida curta. Mas, com a descoberta de minas de diamante, em 1720, tudo tomou outro rumo. A ambição fez convergir para o Tijuco uma multidão de habitantes das terras vizinhas, trazendo um rápido desenvolvimento ao arraial, que logo foi transformado em lugar de luxo e esplendor.

Em 1831, o Tijuco foi elevado à categoria de vila, com o nome de Diamantina, e já se destacava pelo interesse dedicado à cultura, à música, ao teatro e às artes em geral, o que fez dele um dos mais importantes arraiais da época. A riqueza de Diamantina produziu uma aristocracia opulenta e uma das mais requintadas do período colonial.

img04Bem mais tarde, surgiria ali, vindo do povo, bem longe da opulência, Juscelino Kubistchek, o político que seria presidente do Brasil e responsável pela idealização de Brasília.

img05Para os turistas, além do mergulho na história e do deslumbramento com a paisagem e com o conjunto arquitetônico da cidade, ainda há diversão garantida com as festividades religiosas e populares de Diamantina. Para os que não dispensam uma comprinha em viagens, atenção para os tapetes arraiolos, trazidos pelos portugueses e confeccionados tradicionalmente, até hoje, na cidade, e, é claro!, para os trabalhos de ourivesaria e lapidação de pedras preciosas, que ainda abundam na região.

Serestas pelas ruas da cidade são famosas e frequentes, mas Diamantina reserva uma atração mais que especial para seus visitantes: as Vesperatas, que acontecem, geralmente, em dois sábados por mês, de março a outubro. Músicos se posicionam nos balcões dos sobrados da Rua da Quitanda e deleitam o público com um belo concerto. A rua é forrada de meses e cadeiras que são “vendidas” por uma agência de turismo local e, pelo que pudemos perceber, os lugares são muito disputados por turistas de todas as regiões do país.

img06Uma dica importante: o ideal é hospedar-se no Centro Velho, pois é ali que quase tudo acontece. Além das serestas que percorrem as ruas da cidade e das Vesperatas, são programados, na mesma época, concertos de órgão histórico na igreja de Nossa Senhora do Carmo, apresentações musicais no Mercado Velho, saraus da Arte Miúda (coro infantil), Feira de Artesanato e outros pequenos eventos. Tudo acontece por ali, e se puder ser tudo feito a pé, muito melhor.

img07Uma observação a mais: em Diamantina, segundo a lenda que acreditamos não ser lenda, mas realidade, há pelo menos um músico em cada casa. É impressionante a quantidades de jovens que fazem bonito nas apresentações da Banda Jovem da cidade nas Vesperatas.

por-conso

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